RELATORIA DA REUNIÃO ORDINÁRIA DE 03 DE MAIO DE 2014: “Da mesma forma que se diz que um homem se forma definitivamente entre sete e doze anos, podemos sustentar que um cineasta fornece todos os indícios sobre o futuro de sua carreira nos cinqüenta primeiros metros de filme que registra. O primeiro trabalho é ele mesmo e aquilo que fará depois, bem, será sempre ele mesmo, será sempre a mesma coisa, talvez melhor (obras-primas), talvez não tão boas (falhas). [...] Qual era o segredo de Jean Vigo? É provável que vivesse mais intensamente que a média das pessoas” (François Truffaut – “Jean Vigo Morreu aos 29 Anos” IN: “Os Filmes de Minha Vida”).
Por motivos óbvios, quando François Truffaut assistiu ao libelo anárquico ZERO DE CONDUTA (1933 – vide fotograma) pela primeira vez, aos quatorze anos de idade, ficou completamente empolgado. Proibido na França por doze anos desde o seu lançamento, este filme não seria incluído em nossa ode ao cineasta Jean Vigo (1905-1934), visto que é o único participante de sua curta mas intensa filmografia que não trazia o elemento aquático ao qual Gilles Deleuze se referia como fundamental noutras obras. Entretanto, quando Caio Amado trouxe um DVD com a obra integral do cineasta, não resistimos a (re)ver esta obra-prima e, não por acaso, dos quatro filmes exibidos neste sábado, aquele que narrava as travessuras reivindicatórias dos garotos que eram cativos de um sistema escolar quase prisional foi o que mais empolgou a platéia: ao final de ZERO DE CONDUTA, aplausos e beijinhos empolgados foram ouvidos. Jean Vigo em um gênio!
Apesar da inclusão benfazeja deste extraordinário filme, mantivemos as intenções avaliativas anteriormente relatadas: assistimos ao seminal A PROPÓSITO DE NICE (1930)
e ao encantatório A NATAÇÃO SEGUNDO JEAN TARIS (1931) em seqüência e relemos os trechos do texto-base deleuzeano que mencionavam ambos os filmes. Ao final da sessão, estávamos encantados por tudo aquilo que O ATALANTE (1934) exalta: se o filme anterior a este era truffautiano por excelência, na derradeira obra de Jean Vigo podemos encontrar diversos traços retomados tematicamente por Jean-Luc Godard. Foi uma sessão mágica, em que toda a obra febril de um grande artista se descortinou diante de nossos sentidos e sensibilidades, conforme o honorário Thiago Deus Almeida já havia sugerido em mais de uma oportunidade. Vale acrescentar que Manoela Veloso Passos, Daniela da Silva, Anny Anjos e os demais cecinéfilos presentes à reunião estão mais do que aptos para palestrarem sobre o cineasta: é só agendar a data e consultar a disponibilidade dos mesmos! (risos) Na semana que vem, veremos dois filmes menos conhecidos de Dziga Vertov, a fim de prosseguirmos com a observação dos comentários deleuzeanos sobre a imagem-percepção. Até a próxima reunião, portanto!


Nenhum comentário:
Postar um comentário