segunda-feira, 22 de setembro de 2014

RELATÓRIO 06

RELATORIA DA REUNIÃO DE 25 DE JANEIRO DE 2014: "O expressionismo não pára de pintar o mundo de vermelho sobre vermelho, um remetendo à terrível vida não-orgânica das coisas, o outro à sublime vida não-psicológica do espírito. O expressionismo chega ao grito, o grito de Margarida, o grito de Lulu, a marcar tanto o horror da vida não-orgânica quanto a abertura talvez ilusória de um universo espiritual. [Sergei] Eisenstein também chegava ao grito, mas à maneira de um dialético, isto é, como o salto qualitativo que fazia o todo evoluir. Agora, ao contrário, o todo está na altura e confunde-se com o ápice ideal de uma pirâmide que, subindo, está sempre rechaçando a sua base. O todo tornou-se a intensificação propriamente infinita que se liberou de todos os graus, que passou pelo fogo, mas apenas para romper suas amarras sensíveis com o material, o orgânico e o humano, para se desvincular de todos os estados do passado e descobrir assim a Forma espiritual absoluta do futuro". (Gilles Deleuze -CINEMA 1: A IMAGEM-MOVIMENTO)

Assim chegamos ao fim do segmento 3 do terceiro capítulo do referido livro-base: se, no trecho sobre o impressionismo francês, a exigüidade de filmes deste movimento vistos pelo grupo engendrou uma dificuldade adicional na apreensão das potentes metáforas filosófico-poéticas do autor, neste trecho sobre o Expressionismo alemão foram requeridas considerações sobre a teoria goetheniana das cores, a fim de se compreender as transposições cromáticas que o autor enxergava nos maravilhosos filmes em preto-e-branco que discute.
O cineasta mais citado no capítulo foi F. W. Murnau (1888-1931), visto que até mesmo os filmes de sua fase estadunidense [AURORA (1927, mostrado em foto) e TABU (1931, co-dirigido por Robert Flaherty)] conservam as características expressivas da montagem intensivo-espiritual alemã, no que tange à irização, à reverberação, à cintilação e à incandescência - em forma e conteúdo - de uma "vida não-orgânica das coisas [que] culmina no fogo" e/ou na queda, sendo o Expressionismo a "concepção do todo de um Universo espiritual a gerar suas próprias formas abstratas, seus seres de luz, seus 'raccords', que parecem falsos ao olho do sensível". Neste sentido, nos filmes expressionistas, o presente variável se converte em grau intensivo, sendo o todo orgânico a totalidade intensiva do sublime dinâmico.
Na reunião seguinte, avançaremos pelo quarto capítulo do livro, "A imagem-movimento e suas três variedades: segundo comentário de Bergson", que apresenta os conceitos em que será subdivida a imagem-movimento, antes de o autor redarguir que a montagem é "a imagem indireta do tempo"

Link para o AURORA :



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