RELATORIA DA REUNIÃO ORDINÁRIA DE 05 DE ABRIL DE 2014: “Mais austero, mais discreto [que os demais cineastas da ‘Nouvelle Vague’], foi obrigado a esperar longos anos antes de ser consagrado pela crítica. Seus ‘contos morais’, belas histórias dentro da tradição de um século XVIII modernizado, nas quais a sedução, senão a libertinagem, ocupa um lugar de importância. (...) Por um lado, uma concepção clássica do espaço, por outro, uma justaposição de planos heterogêneos e uma utilização voluntária de falsas escalas; por um lado, o equilíbrio, por outro, a ingenuidade; o diretor, tanto num caso como no outro, busca voluntariamente o artificial, melhor recurso para destacar uma história simples e clara” (Jean Tulard – “Dicionário de Cinema – Os Diretores”, verbete sobre Éric Rohmer, página 542).
Este pequeno trecho foi lido por Wesley Pereira de Castro no início da reunião deste sábado, ao confessar a sua dificuldade em compreender o estilo rohmeriano, que, conforme foi percebido durante a audiência ao genial A COLECIONADORA (1967, fotograma à direita), é deveras identificável, em sua forma mui peculiar de narrar...
O mentor Caio Amado ficou particularmente contente com a reunião – “uma das melhores, pois foi aquela em que mais pessoas diferentes falaram!” – visto que, conforme ele próprio antecipou, diversos cecinéfilos expressaram suas opiniões acerca do filme: Jadson Teles trouxe à tona possíveis associações filosóficas do cineasta (Jean-Paul Sartre, principalmente); Daniela da Silva comentou sobre o quão propositalmente dificultosa foi a opção do cineasta em tornar os sentimentos dos personagens distanciados; Brenda Helena exclamou algumas percepções sobre o quanto a personagem-título do filme (que, entretanto, não era efetivamente a protagonista) ocupava um papel central na narrativa, ao continuamente remodelar-se enquanto ser humano; e Anny Anjos percebeu similaridades entre a trama do filme e o tipo de romance que aprecia ler.
Ao término da discussão, no qual ficou decidido que, na semana que vem, o anfitrião Jadson apresentará o seu filme favorito, O SABOR DA MELANCIA (2005, de Tsai Ming-Liang), enquanto representante contemporâneo do “cinema de poesia”, os presentes expuseram as suas decepções com o atual sistema de ensino brasileiro.
Comemos algo e, aproveitando um comentário breve de Caio Amado, resolvemos instaurar uma coincidência, e vimos o antológico O COLECIONADOR (1965, de William Wyler, fotograma à esquerda), um dos filmes preferidos de Wesley, visto que a trama tem muito a ver com as suas peculiaridades afetivas, que tendem à opressão por conta da exacerbação da carência. Tanto é que, ao término da sessão, Yuri Ferreira fez uma oportuna observação (à guisa de conselho amistoso) sobre a vida erótica deste relator. Foi uma reunião magistral, portanto. Sábado que vem tem mais!


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