segunda-feira, 22 de setembro de 2014

RELATÓRIO 11

RELATORIA DA REUNIÃO ORDINÁRIA DE 22 DE MARÇO DE 2014: “O meu futuro de burguês está em meu passado de burguês”. Esta foi a frase que latejou no debate ao final da sessão de ANTES DA REVOLUÇÃO (1964), obra-prima de Bernardo Bertolucci. Tal qual aconteceu no sábado anterior, a quantidade de pessoas que ainda não haviam visto o filme era exatamente a metade dos presentes. E o mentor Caio Amado sugeriu que fossem estes os primeiros a se expressar durante o debate, no qual Robson Viana destacou as similaridades e divergências deste filme em relação às obras vindouras do cineasta (que, ao contrário desta, são atravessadas por “uma margem confortável de provocação”, segundo o pesquisador Claude Beylie) enquanto  Daniela da Silva traçou diferenciou os traços patológicos da protagonista do filme antonioniano que vimos anteriormente em relação à deprimida tia do angustiado personagem autobiográfico do filme bertolucciano (que se deixa levar pelo ciúme e, assim, permite que os seus ideais políticos soçobrem). O anfitrião Jadson Teles insistiu na diferenciação proposta por Gilles Deleuze entre os enquadramentos matemático e dinâmico e Wesley Pereira de Castro, por sua vez, comentou que, sendo esta a quarta vez que vê o filme, experimenta sensações novas de identificação a cada sessão, tamanha a quantidade de vozes respeitadas no discurso polifônico do filme, em que mais de um personagem têm direito à condução da subjetiva indireta livre...

Já que este recurso de estilo cinematográfico é o tema deste módulo sobre a imagem-percepção deleuzeana, aproveitamos a deixa para vermos, após a reunião ordinária, o mal-falado filme ÚLTIMO DESEJO (2013, de James Franco – vide foto), baseado no antológico romance “Enquanto Agonizo”, publicado pelo genial William Faulkner em 1930. Se o romance original surpreende pelo impressionante uso da subjetiva indireta livre – já que cada capítulo é narrado por um personagem diferente, cada qual se expressando através de linguagens diferentes e cada qual destacando um diferenciado aspecto do mote tramático central, o custoso enterro da matriarca recém-falecida – o jovem diretor James Franco quis ousar demais em sua transcrição cinematográfica, extravasando um recurso depalminiano e entulhando a obra com telas divididas que, supostamente, faziam convergir dois diferentes pontos de vista (um objetivo e outro subjetivo) num mesmo fotograma. Porém, apesar da audácia, tal recurso foi utilizado aqui de forma contra-exemplar em relação à perspectiva poética pasoliniana, visto que, por conta da narrativa geral tradicionalmente hollywoodiana, o filme funcionava melhor quando era gerido linearmente. Mas vale a pena ser visto (e discutido), por mais que as críticas sobre ele sejam tão inglórias...

Na semana que vem, O DEMÔNIO DAS ONZE HORAS (1965, de Jean-Luc Godard). Tudo pode acontecer nesta sessão e no debate subseqüente (risos): não importa quantas vezes já se tenha (re)visto esta obra-prima, será imperdível! Até lá! 

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