domingo, 14 de junho de 2015

RELATÓRIO 50

RELATÓRIO 50

BREVE RELATORIA DA REUNIÃO ORDINÁRIA DE 18 DE ABRIL DE 2015: “[Nicholas] Ray dedicava-se à pintura de personagens frágeis, feridos ou neuróticos. Já em AMARGA ESPERANÇA [1948] contava a história de um amor ameaçado entre dois jovens perseguidos pela polícia; nesse filme, a ternura é substituída pela violência dos sentimentos. A preferência dos heróis vulneráveis é uma constante na sua obra, culminando em JUVENTUDE TRANSVIADA [1955], dominado pela interpretação de James Dean, reflexo das obsessões de Ray”.
Assim o pesquisador Jean Tulard apresenta o surgimento de um verdadeiro autor de cinema em seu “Dicionário de Cineastas – Os Diretores”, autor este que é especializado nos registros da “vulnerabilidade do herói”, tema este que voltará em praticamente todas as suas obras, mencionadas de relance ao final da sessão de AMARGA ESPERANÇA, que deslumbrou os cecinéfilos presentes à reunião do último sábado.
Conforme fora devidamente anunciado, o quórum desta sessão foi recorde: um novo ciclo começa! Prosseguindo com as avaliações deleuzenas acerca da imagem-pulsão, vimos a obra de estréia de Nicholas Ray, um impressionante filme que ousa parir uma bola de intensa paixão em meio a um pletora de perfídia. As críticas à institucionalização da violência persecutória e o apego a personagens marginalizados foram destacados na introdução de Mauro Luciano ao filme, que, ao final da sessão, sintetizou a filmografia rayniana numa brilhante e concisa fórmula: “é tudo tragédia!”. Os demais membros não discordaram...
Se, entre outros, Wesley Pereira de Castro, Victor Cardozo e Bruna Egipto Laísa quedaram emocionados e deslumbrados com a coragem do casal protagonista em amar-se num contexto em que os sentimentos humanos são observados com desdém frente à onipresença da circulação de capital, outros destacaram o caráter eminentemente político da coerente filmografia de Nicholas Ray.
Ao término da sessão de AMARGA ESPERANÇA, Manoela Veloso Passos e Jadson Teles fizeram algumas indagações teoréticas sobre as hipóteses acerca do que teria acontecido (diegeticamente) aos personagens que sobrevivem ao trágico desfecho do filme. Estas indagações acentuam o quanto a obra rayniana é importante numa perspectiva discursiva, além de configurarem uma verdadeira renovação formal no ‘modus operandi’ hollywoodiano, visto que o modo como o filme é realizado (no que diz respeito à montagem, uso de banda sonora natural e interpretações intensas, entre outros aspectos) vai de encontro a algumas convenções produtivas da época. Com certeza, os debates que acompanharão as sessões vindouras serão impregnados de passionalidade. E que surjam novas pulsões! (WPC>)

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