RELATORIA DA REUNIÃO ORDINÁRIA DE 28 DE FEVEREIRO DE 2015
O dia de reunião prometia, OS ESQUECIDOS (1950), era exatamente o filme da vez. Buñuel em um dos filmes mais geniais da história do cinema. Mas, logo na manhã recebo a primeira surpresa via mensagem, o querido Wesley mais uma vez não poderá comparecer à reunião, devido a jornada massacrante de seu atual trabalho. As 14 horas outra surpresa, mas dessa vez, era Lucas Barbosa Carvalho, acompanhado com seu tio que chegam aqui no meu canto cinéfilo, logo depois Caio e Mauro e já durante a exibição do filme o “sapeca” Jaime. Não puderam aparecer: o já mencionado Wesley, Manoela, Daniela, Robson e Victor.
O filme como sempre funcionou muito mais que eu esperava e ao fim da sessão Caio abre o debate falando um pouco sobre o contexto político mexicano da época do filme. Outra consideração feita por Caio era de como as pessoas das instituições presentes no filme são “boazinhas”, uma inversão do que assistimos nos filmes americanos, nos quais os reformatórios aparecem figuras intragáveis e vilanescas. Segundo Caio, Buñuel quer evidenciar que são as instituições em si o problema, ao contrário dos filmes americanos que apontam o homem sem valores o problema.
Lucas Carvalho, por sua vez, comparou o livro brasileiro escrito por Jorge Amado, OS CAPITÃES DE AREIA, ao filme, ressaltando inclusive que o nome do jovem protagonista é o mesmo: Pedro.
Mauro iniciou a leitura do texto de André Bazin acerca do filme e também discordou de uma certa interpretação católica de Bazin que afirma que o filme não é sádico. Caio ainda lembrou que há um tom de mal gosto em certas passagens do filme e que estas, estão contrastando com a fotografia elaboradíssima de Gabriel Figueroa dando um efeito narrativo surpreendente.
De minha parte lembrei de como o modelo de sociabilização presente no reformatório lembra àquele modelo criticado por Michel Foucault em “Vigiar e Punir”, no qual o Estado visa docilizar os corpos para controlar a vida, enquanto Buñuel mostra os corpos selvagens que pulsam a cada momento.
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