sábado, 30 de agosto de 2014

RELATÓRIO 04

   A partir das 14h30', portanto, continuaremos a discussão do terceiro capítulo do livro-base do Gilles Deleuze, CINEMA 1: A IMAGEM-MOVIMENTO. Estamos analisando os quatros tipos de montagem que o autor enumera com base numa recapitulação dos três níveis bergsonianos, a saber: a determinação dos sistemas fechados; a determinação do movimento que se estabelece entre as partes do sistema; e a determinação do todo cambiante que se exprime em movimento.
  Seguindo de perto as observações sobre as quatro principais escolas de montagem, Wesley Pereira de Castro apresentou a tendência orgânica da escola norte-americana (nomeadamente D. W. Griffith) e Caio Amado (claro!) apresentou a tendência orgânica da escola soviética [com destaque demorado para Sergei Eisenstein, cuja obra-prima O ENCOURAÇADO POTEMKIN (1925) é mostrada em fotograma].



  Nos dois primeiros segmentos do terceiro capítulo, o filósofo Gilles Deleuze refere-se à montagem cinematográfica como sendo uma "composição ou agenciamento das imagens-movimento enquanto constituintes de uma montagem indireta do tempo". Em relação à montagem orgânica predominantemente griffithiana, pode-se identificar três subtipos: a montagem alternada paralela, obtida de um conjunto de partes diferenciadas; a inserção do primeiro plano, que permite a miniaturização de um conjunto ou a conferição de subjetividade comparativa; e a montagem concorrente ou convergente, que visa à superação de conflitos ou à restauração da unidade inicial, o que antecede o esquema Situação [S] => ação [A] => situação modificada [S'] que voltará num capítulo posterior, quando o autor deter-se-á justamente na imagem-ação, típica do cinema hollywoodiano.
  No que tange à montagem soviética, o autor diferencia a recorrência à "espiral dialética" (e à lei interna da secção áurea, que diz respeito a um ponto opositivo de cesura) levada a cabo por Sergei Eisenstein, enquanto desvelamento de conjunto orgânico-patético, da tendência de Vsevolod Pudovkin em fazer com que as situações tramáticas dependam da conscientização de um dado personagem e da obsessão de Aleksandr Dovjenko em estabelecer uma relação triádica entre as partes, o conjunto e o todo. Dziga Vertov aparece ao final do segmento, como um cineasta que apregoa que a montagem dialética "deve romper com uma natureza ainda excessivamente orgânica". Este último modelo seria o preferido pelo filósofo, segundo defendido por Caio Amado, dado o entusiasmo com que a câmera-olho é apresentado em relação à natureza-punho.
  Para o próximo sábado, debateremos o terceiro segmento do terceiro capítulo, em que o autor contrapõe a tendência quantitativa da escola impressionista francesa (e sua ode ao movimento das imagens) à tendência intensiva da escola expressionista alemã (que privilegia a luz).

Nenhum comentário:

Postar um comentário