sábado, 30 de agosto de 2014

RELATÓRIO 03

   "O plano, isto é, a consciência, traça um movimento que faz com que as coisas entre as quais se estabelece não parem de se reunir em um todo, e o todo de se dividir entre as coisas (o Dividual)"...
   A partir deste pressuposto conceitual contido no segundo segmento do capítulo II de "Cinema 1: A Imagem-Movimento", o filósofo Gilles Deleuze explica em que aspectos é estilisticamente justificável "um mundo passarizado", para mencionar diretamente o clássico de Alfred Hitchcock OS PÁSSAROS (1963), utilizado como exemplo recorrente.


   No capítulo em pauta, inclusive, o autor referia-se à estilística como sendo "um movimento que se instaura entre as partes de um conjunto num quadro, ou de um conjunto a outro num reenquadramento", o que fez com que a metáfora biológica do código genético fosse transferida para o campo cinematográfico, num preâmbulo teórico que se coaduna com a "política dos autores". Akira Kurosawa, F. W. Murnau e Orson Welles foram outros diretores mencionados no capítulo, sendo particularmente defensável, de minha parte, os ângulos ostensivamente oblíquos nos filmes de Carol Reed, ao qual o autor refere-se de forma precipitada.
 Diferenciando-se estritamente as perspectivas do quadro fotográfico e do plano cinematográfico como sendo uma moldagem e uma modulação, respectivamente, Gilles Deleuze acrescenta que este último "não se detém quando o equilíbrio é atingido, não pára de modificar o molde, de constituir um molde variável, contínuo, temporal". Ou seja, o plano é a imagem-movimento, pois "reporta o movimento a um todo que muda e, ao mesmo tempo, é o corte móvel de uma duração".
   A fim de demonstrar isso com efetividade, no final do capítulo 2, o autor afirma que a imagem-movimento pode ser constituída (e, por extensão, liberada, enquanto movimento, dos móveis e objetos que focaliza ou acompanha) através da mobilidade de câmera ou da montagem ('raccord' de planos). Sendo assim, o capítulo 3 do livro é justamente sobre montagem, subdividida em quatro grandes tendências:
- a orgânica, da escola norte-americana;
- a dialética, da escola soviética;
- a quantitativa, da escola francesa;

- e a intensiva, da escola expressionista alemã.

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