Enquadramento é a arte de
escolher as partes de todos os tipos que entram num conjunto, entendendo-se
este como um sistema fechado, relativa e artificialmente fechado. É mais ou
menos assim que Gilles Deleuze sintetiza as conclusões do primeiro segmento do
capítulo 2 de CINEMA 1: A IMAGEM-MOVIMENTO, onde relaciona este sistema fechado
a pelo menos quatro considerações:
- em relação aos dados
comunicados aos espectadores, que engendra uma conformação informática (podendo
os planos serem saturados ou rarefeitos);
- em relação a si mesmo, enquanto
limitação, o que engendra a subdivisão entre planos geométricos e
físico-dinâmicos;
- em relação à natureza de suas
partes, o que nos faz pensar na persistência do requisito geométrico, que também
pode ser físico ou dinâmico;
- e em relação ao ponto de vista
(ou ângulo do enquadramento), em que o plano é compreendido como um sistema
ótico, que exige uma justificação mais elevada, além de determinar um
extracampo, seja sob a forma de um conjunto mais vasto que o prolonga, seja sob
a forma de um todo que o integra.
Enquanto exemplo do último caso -
mas podendo ser estendido a todos os outros, Gilles Deleuz apresenta este
magnífico fotograma do extraordinário filme NÃO MATARÁS (1932, de Ernst Lubitsch),
mostrado logo no início do filme, com uma função de perspectiva bastante
específica, segundo o autor, mas, em minha opinião, vinculada a uma
consideração temática muito mais geral.
Na reunião deste sábado,
seguiremos discutindo o capítulo 2 do referido livro, onde ele continua a
relacionar o plano com os conceitos de decupagem e enquadramento, enquanto
aproveita genialmente uma oportunidade para introduzir a sua noção de
estilística (autoral) cinematográfica, que muito me interessa particularmente.
Alfred Hitchcock, F. W. Murnau, Sergei Eisenstein, Carl Theodor Dreyer e muitos
outros gênios serão citados como demonstradores desta noção.

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