sábado, 30 de agosto de 2014

RELATÓRIO 02

   Enquadramento é a arte de escolher as partes de todos os tipos que entram num conjunto, entendendo-se este como um sistema fechado, relativa e artificialmente fechado. É mais ou menos assim que Gilles Deleuze sintetiza as conclusões do primeiro segmento do capítulo 2 de CINEMA 1: A IMAGEM-MOVIMENTO, onde relaciona este sistema fechado a pelo menos quatro considerações:
- em relação aos dados comunicados aos espectadores, que engendra uma conformação informática (podendo os planos serem saturados ou rarefeitos);
- em relação a si mesmo, enquanto limitação, o que engendra a subdivisão entre planos geométricos e físico-dinâmicos;
- em relação à natureza de suas partes, o que nos faz pensar na persistência do requisito geométrico, que também pode ser físico ou dinâmico;
- e em relação ao ponto de vista (ou ângulo do enquadramento), em que o plano é compreendido como um sistema ótico, que exige uma justificação mais elevada, além de determinar um extracampo, seja sob a forma de um conjunto mais vasto que o prolonga, seja sob a forma de um todo que o integra.
   Enquanto exemplo do último caso - mas podendo ser estendido a todos os outros, Gilles Deleuz apresenta este magnífico fotograma do extraordinário filme NÃO MATARÁS (1932, de Ernst Lubitsch), mostrado logo no início do filme, com uma função de perspectiva bastante específica, segundo o autor, mas, em minha opinião, vinculada a uma consideração temática muito mais geral.


   Na reunião deste sábado, seguiremos discutindo o capítulo 2 do referido livro, onde ele continua a relacionar o plano com os conceitos de decupagem e enquadramento, enquanto aproveita genialmente uma oportunidade para introduzir a sua noção de estilística (autoral) cinematográfica, que muito me interessa particularmente. Alfred Hitchcock, F. W. Murnau, Sergei Eisenstein, Carl Theodor Dreyer e muitos outros gênios serão citados como demonstradores desta noção. 

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